quinta-feira, 20 de julho de 2017

Brasil ganha primeiro cachorro sintético para aulas de veterinária que elimina sacrifício animal


O curso de medicina veterinária da Faculdade das Américas (FAM) é o primeiro no Brasil a utilizar modelo canino sintético para aulas de anatomia, fornecido com exclusividade pela empresa brasileira Csanmek, especializada em sistemas e soluções para o mercado educacional. A aquisição segue a tendência mundial de eliminar o sacrifício e o uso de animais em salas de aula.

Chamado de Syndaver Canine, o cachorro sintético será utilizado para simulações cirúrgicas e treinamentos de habilidades. O modelo é desenvolvido com textura e densidade similares às estruturas anatômicas reais e contém todos os sistemas e órgãos do corpo canino, permitindo a realização de cirurgias, dissecações, entubações e demais procedimentos veterinários.

O cachorro sintético integra o sistema multidisciplinar da FAM para o ensino da veterinária e será utilizado junto com a Plataforma 3D de simulações de anatomia, desenvolvida pela Csanmek. O equipamento funciona como uma mesa que exibe modelos tridimensionais altamente detalhados e anatomicamente corretos de todos os sistemas do corpo canino, que permite aos alunos realizar dissecações virtuais e ter acesso a locais que dificilmente teriam em um cadáver real.

O simulador 3D utilizado na FAM possui ainda uma ferramenta de integração entre hospitais e salas de aula e oferece aos alunos a possibilidade de estudar casos clínicos e exames reais de animais, pois permite que os professores convertam tomografias e ressonâncias magnéticas em 3D, com acesso total e irrestrito a anatomia real.

“Todos os anos, milhares de animais são sacrificados para o ensino. Essa tecnologia foi desenvolvida para reduzir esses números e modificar esse cenário, pois o simulador cirúrgico permite que os alunos utilizem um modelo realístico com todos os sistemas e órgãos na mesma coloração e densidade do real”, comenta Claudio Santana, fundador da Csanmek Tecnologia.

“Apesar de ser um equipamento para educação, a plataforma 3D também é utilizada por médicos e profissionais da saúde no dia a dia, para melhorar o aprendizado e compreensão das estruturas anatômicas reais e modeladas, e, junto com o Syndaver Canine, formou-se o cenário ideal", conclui Santana.

- Sobre a Csanmek :

A CSANMEK é uma empresa brasileira que surgiu com a missão de ser referência em novas tecnologias de simulação, para auxiliar as técnicas educacionais no uso das metodologias ativas. Desenvolve ferramentas e projetos educacionais para suporte aos docentes e discentes, visando melhor qualificação para futuros profissionais das diversas áreas da saúde. Com dois anos no mercado, a empresa atua no desenvolvimento de soluções para atender as necessidades das instituições de ensino, trazendo sempre o que há de melhor no mercado mundial.



Fonte: Leda Sangiorgio

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Aprovado, projeto de lei obriga monitoramento de vídeo em pet shops


A Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) aprovou na quarta-feira (5/6/2017) o PL 6553/2016, de autoria da deputada federal Mariana Carvalho (PSDB-RO), que torna obrigatório o monitoramento de áudio e vídeo em estabelecimentos que tratam da saúde, higiene e estética de animais domésticos.

Pelo texto, o local terá que disponibilizar as imagens em tempo real pela internet, com prazo de três dias úteis para entrega de cópia aos clientes, quando solicitado.

“É uma iniciativa para coibir as agressões e maus tratos contra os animais em pet shops. São registrados diversos relatos de abusos cometidos contra os bichos indefesos, e a vigilância permanente com vídeos ajuda a evitar a agressão, ou até para usar as imagens como prova em um processo”, esclareceu Mariana Carvalho.

Se o projeto for sancionado, os estabelecimentos terão prazo de um ano para se adaptar às instalações das câmeras. O armazenamento das filmagens vai ocorrer por seis meses, e o prazo para entrega das imagens será de três dias úteis. Quem não cumprir a lei estará sujeito às sanções da Lei de Crime Ambiental.

“Quando deixamos o animal para um banho ou tosa, não sabemos como ele será tratado. Esse projeto pode dar mais tranquilidade ao dono do animal doméstico. Vou fazer de tudo para garantir a segurança dos bichos de estimação”, afirmou a deputada de Rondônia.



Fonte:Augusto Berto

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Médicos-veterinários alertam sobre surto de leishmaniose


As cidades do estado de São Paulo têm registrado um alto índice de leishmaniose visceral canina nos últimos anos. Apenas na região de Presidente Prudente já são mais de 140 casos em animais confirmados da doença em 2017. Em Votuporanga, outros 135 cães foram diagnosticados com leishmaniose visceral nos primeiros seis meses do ano. O cenário visto em São Paulo se estende pelo País, que responde por 90% dos casos da América Latina. 

Em 2016, o Ministério da Saúde recebeu 3.626 notificações de casos de leishmaniose visceral em humanos e 275 mortes foram registradas em todo o País. Somente no Estado de São Paulo, foram 119 pessoas atingidas pela doença e 11 óbitos. Neste ano já foram pelo menos sete mortes no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo.

A transmissão da leishmaniose visceral canina ocorre pela picada do mosquito-palha e afeta principalmente cães, gatos e humanos. É uma doença que leva ao óbito em até 90% dos casos não tratados e, até recentemente, cães infectados pela doença eram submetidos à eutanásia, por serem hospedeiros do vetor.

Com este panorama, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) vem, em sua missão de destacar o papel do médico-veterinário na promoção da saúde única, orientar à sociedade quanto às formas de diagnosticar, prevenir e tratar esta doença infecciosa que é considerada uma das seis mais graves em todo o mundo.

“Os médicos-veterinários têm grande responsabilidade na vigilância, no controle, na prevenção e na notificação de casos da leishmaniose visceral. O profissional deve sempre orientar os tutores e estar alerta a qualquer manifestação da doença. A leishmaniose é uma doença de notificação compulsória dada sua relevância para a saúde única, que envolve a saúde humana, ambiental e animal. Essa zoonose precisa estar sempre bem monitorada para o bem-estar da sociedade” afirma o presidente do CRMV-SP, Mário Eduardo Pulga.

- Transmissão:

A leishmaniose visceral canina não é transmitida pelo contato direto entre animais domésticos e o ser humano. É necessário que o flebótomo Lutzomyia spp, conhecido como “mosquito-palha”, pique um animal infectado e em seguida um humano, ocasião em que transmite o protozoário. O ‘palha’ se reproduz em ambiente escuro e rico em matéria orgânica.

- Sintomas:

A leishmaniose visceral nos seres humanos ataca principalmente o sistema imunológico, causando insuficiência renal crônica, emagrecimento, atrofia muscular, febre, artrite e diarreia. Nos animais, observa-se queda de pelos, descamação cutânea e presença de ulcerações localizadas ou difusas, além de uma generalizada letargia e emagrecimento.

- Diagnóstico :

A forma mais segura de diagnóstico da LVC é o teste rápido DPP (Dual Path Platform. Bio-Manguinhos/FIOCRUZ). É este o método mais simples e mais utilizado nas clínicas veterinárias, sendo a técnica rápida e pouco traumática.

- Tratamento:

No ano de 2017, os ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Saúde aprovaram a comercialização do primeiro medicamento para tratamento da leishmaniose visceral canina: o MilteforanTM, desenvolvido pela Virbac. A droga não cura a doença, mas promove uma grande diminuição na carga parasitária presente no sangue do animal, reduzindo o desenvolvimento das enfermidades características. Este tratamento, entretanto, requer monitoramento periódico de um médico-veterinário e deverá ser administrado até o fim da vida do animal, assim como devem ser mantidas obrigatoriamente as medidas preventivas.

- Prevenção:

Para evitar a infecção pela leishmaniose visceral canina, os médicos-veterinários recomendam a adoção de algumas medidas por parte dos donos de cães e gatos.

- Coleiras repelentes:

As coleiras com substâncias repelentes são a medida mais eficiente para não-contaminação com a zoonose. A deltametrina é o elemento químico recomendado pela Organização Mundial da Saúde para impedir o contato dos animais com o mosquito transmissor.

- Barreiras físicas:

Revestir janelas e portas de canis ou viveiros com redes e telas é outra medida preventiva com boa efetividade. Como o inseto se alimenta no período noturno, em regiões quentes e com incidência de viveiros com redes e telas é outra medida preventiva com boa efetividade. Como o inseto se alimenta no período noturno, em regiões quentes e com incidência de leishmaniose, é recomendável guardar os animais em seus refúgios após o fim de tarde.

- Limpeza de locais abertos:

Como o mosquito-palha se reproduz em locais com matéria orgânica, é preciso manter quintais limpos e evitar o acúmulo de lixo e água parada. A higiene é uma das melhores medidas de prevenção contra a Leishmaniose. Terrenos abandonados e locais com muitas árvores e sem manutenção devem ser evitados pelos tutores.

- Exames periódicos:

Todas as medidas acima devem ser acompanhadas de consultas regulares ao médico-veterinário. Somente este profissional está capacitado para identificar os sintomas e promover o tratamento recomendado.


Fonte:  Dr. Rodrigo Mainardi - membro da Coomissão de Clínicos de pequenos animais do CRMV-SP


sábado, 6 de maio de 2017

Discoespondilite, uma experiência inesquecível



A Discoespondilite (osteomielite intradiscal) é uma infecção causada por bactérias que provoca lesão na coluna vertebral, discos intervertebrais e tecidos adjacentes. Causa dor intensa e, dependendo da vértebra afetada pode haver rigidez, tetraparesia ou paresia e paraplegia.


Os primeiros estudos apontavam o Staphylococcus aureus como agente causador, contudo, um patógeno canino foi recentemente identificado, o Stafilococcus intermedius. As bactérias ou fungos em geral, entram na corrente sanguínea através dos abcessos dentários, feridas, doenças que diminuem a imunidade do animal, pelas vias aéreas (pulmão) ou mesmo decorrente de outras infecções, principalmente vindas do trato urinário e endocárdio. Uma infecção muito comum que pode levar a discoespondilite é a Brucelose, mais comum em animais de sítios e fazendas.

Cães de raças grandes e machos são mais propensos a contrair a discoespondilite, podendo acontecer em qualquer idade. É raro em gatos, mas pode ocorrer osteomielite vertebral, sem acometimento dos discos, decorrente de ferimentos externos. A doença acomete mais frequentemente a região tóraco lombar ou lombar.

Depressão, anorexia e febre representam o sinal de alerta. A seguir surge uma dor muito intensa na região atingida, podendo ter alterações neurológicas em decorrência dessa inflamação local, como paralisia dos membros e dificuldade de locomoção.

O diagnóstico de discoespondilite é obtido geralmente através de raios-X, porém a tomografia computadorizada pode evidenciar aspectos de lise e remodelamento ósseo com maior e melhor definição e precocidade não alcançadas com radiografia convencional. No exame clínico deve-se procura sinais clínicos como sopro, pois endocardite pode ser a fonte da infecção. Nos exames laboratoriais pode ocorrer no Hemograma: leucocitose e neutrofilia, a urinálise pode detectar foco de infecção (cistite).

O tratamento envolve a antibioticoterapia agressiva e prolongada baseada nos organismos mais comumente envolvidos ou no resultado das culturas. É importante manter o animal em repouso absoluto para evitar fraturas patológicas.

Estou relatando sobre esta doença porque recentemente enfrentei o desafio de salvar o meu pastor alemão, o Twguio, que esta com dez anos desta infecção. Os primeiros sintomas surgiram durante o carnaval, o que dificultou muito o atendimento.

Ao consultar a primeira veterinária, numa clínica onde trabalham quatro veterinários, foi diagnosticado que ele estava com cinomose e erliquiose e, a melhor opção seria a eutanásia devido à idade dele. Não aceitamos esta indicação, ela então, receitou uma medicação que foi incluída no valor da consulta. Tivemos a iniciativa de levá-lo em outra clínica veterinária. Lá chegando, o outro veterinário identificou esta infecção, mencionando que a medicação indicada pela veterinária anterior, à base de corticoide iria agravar a situação. Ele ficou internado por dez dias, mas estava totalmente paralisado da cintura para baixo. 

Devido às dificuldades apresentadas para realizar as necessidades fisiológicas, falta de apetite e condição para continuar vivendo sem se locomover, fui incentivada por muitas pessoas a realizar a eutanásia. Mas meu marido foi implacável, jamais iriamos praticar este ato. O sofrimento dele foi muito grande durante o período de vinte e um dias, sendo que a medicação correta foi realizada durante seis semanas. 

A luta foi muito grande, mas teve um final feliz. Nós investimos todo nosso amor e dedicação e, após sessenta dias ele este está totalmente recuperado, caminha e se alimenta muito bem.

Quero deixar registrado aqui este depoimento, pois descobri que discoespondilite pode ter cura. A eutanásia indicada na primeira clínica veterinária demonstrou falta de ética, de moral e de conhecimento cientifico, ou seja, eles tem um protocolo escolhido para realizar o atendimento, não respeitando a vida do animal e, muito menos o sentimento dos tutores. Para os veterinários daquela clínica, a eutanásia é a solução quando desconhecem a causa do problema. 

O Twguio não estava com cinomose e muito menos erliquiose, e sim com discoespondilite. Tomara que outros animais não sejam vítimas de profissionais que atuam sem o mínimo de responsabilidade e, praticam a eutanásia em animais que ainda tem uma longa vida pela frente.



Autoria: Vininha F. Carvalho