quinta-feira, 22 de junho de 2017

Médicos-veterinários alertam sobre surto de leishmaniose


As cidades do estado de São Paulo têm registrado um alto índice de leishmaniose visceral canina nos últimos anos. Apenas na região de Presidente Prudente já são mais de 140 casos em animais confirmados da doença em 2017. Em Votuporanga, outros 135 cães foram diagnosticados com leishmaniose visceral nos primeiros seis meses do ano. O cenário visto em São Paulo se estende pelo País, que responde por 90% dos casos da América Latina. 

Em 2016, o Ministério da Saúde recebeu 3.626 notificações de casos de leishmaniose visceral em humanos e 275 mortes foram registradas em todo o País. Somente no Estado de São Paulo, foram 119 pessoas atingidas pela doença e 11 óbitos. Neste ano já foram pelo menos sete mortes no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo.

A transmissão da leishmaniose visceral canina ocorre pela picada do mosquito-palha e afeta principalmente cães, gatos e humanos. É uma doença que leva ao óbito em até 90% dos casos não tratados e, até recentemente, cães infectados pela doença eram submetidos à eutanásia, por serem hospedeiros do vetor.

Com este panorama, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) vem, em sua missão de destacar o papel do médico-veterinário na promoção da saúde única, orientar à sociedade quanto às formas de diagnosticar, prevenir e tratar esta doença infecciosa que é considerada uma das seis mais graves em todo o mundo.

“Os médicos-veterinários têm grande responsabilidade na vigilância, no controle, na prevenção e na notificação de casos da leishmaniose visceral. O profissional deve sempre orientar os tutores e estar alerta a qualquer manifestação da doença. A leishmaniose é uma doença de notificação compulsória dada sua relevância para a saúde única, que envolve a saúde humana, ambiental e animal. Essa zoonose precisa estar sempre bem monitorada para o bem-estar da sociedade” afirma o presidente do CRMV-SP, Mário Eduardo Pulga.

- Transmissão:

A leishmaniose visceral canina não é transmitida pelo contato direto entre animais domésticos e o ser humano. É necessário que o flebótomo Lutzomyia spp, conhecido como “mosquito-palha”, pique um animal infectado e em seguida um humano, ocasião em que transmite o protozoário. O ‘palha’ se reproduz em ambiente escuro e rico em matéria orgânica.

- Sintomas:

A leishmaniose visceral nos seres humanos ataca principalmente o sistema imunológico, causando insuficiência renal crônica, emagrecimento, atrofia muscular, febre, artrite e diarreia. Nos animais, observa-se queda de pelos, descamação cutânea e presença de ulcerações localizadas ou difusas, além de uma generalizada letargia e emagrecimento.

- Diagnóstico :

A forma mais segura de diagnóstico da LVC é o teste rápido DPP (Dual Path Platform. Bio-Manguinhos/FIOCRUZ). É este o método mais simples e mais utilizado nas clínicas veterinárias, sendo a técnica rápida e pouco traumática.

- Tratamento:

No ano de 2017, os ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Saúde aprovaram a comercialização do primeiro medicamento para tratamento da leishmaniose visceral canina: o MilteforanTM, desenvolvido pela Virbac. A droga não cura a doença, mas promove uma grande diminuição na carga parasitária presente no sangue do animal, reduzindo o desenvolvimento das enfermidades características. Este tratamento, entretanto, requer monitoramento periódico de um médico-veterinário e deverá ser administrado até o fim da vida do animal, assim como devem ser mantidas obrigatoriamente as medidas preventivas.

- Prevenção:

Para evitar a infecção pela leishmaniose visceral canina, os médicos-veterinários recomendam a adoção de algumas medidas por parte dos donos de cães e gatos.

- Coleiras repelentes:

As coleiras com substâncias repelentes são a medida mais eficiente para não-contaminação com a zoonose. A deltametrina é o elemento químico recomendado pela Organização Mundial da Saúde para impedir o contato dos animais com o mosquito transmissor.

- Barreiras físicas:

Revestir janelas e portas de canis ou viveiros com redes e telas é outra medida preventiva com boa efetividade. Como o inseto se alimenta no período noturno, em regiões quentes e com incidência de viveiros com redes e telas é outra medida preventiva com boa efetividade. Como o inseto se alimenta no período noturno, em regiões quentes e com incidência de leishmaniose, é recomendável guardar os animais em seus refúgios após o fim de tarde.

- Limpeza de locais abertos:

Como o mosquito-palha se reproduz em locais com matéria orgânica, é preciso manter quintais limpos e evitar o acúmulo de lixo e água parada. A higiene é uma das melhores medidas de prevenção contra a Leishmaniose. Terrenos abandonados e locais com muitas árvores e sem manutenção devem ser evitados pelos tutores.

- Exames periódicos:

Todas as medidas acima devem ser acompanhadas de consultas regulares ao médico-veterinário. Somente este profissional está capacitado para identificar os sintomas e promover o tratamento recomendado.


Fonte:  Dr. Rodrigo Mainardi - membro da Coomissão de Clínicos de pequenos animais do CRMV-SP


sábado, 6 de maio de 2017

Discoespondilite, uma experiência inesquecível



A Discoespondilite (osteomielite intradiscal) é uma infecção causada por bactérias que provoca lesão na coluna vertebral, discos intervertebrais e tecidos adjacentes. Causa dor intensa e, dependendo da vértebra afetada pode haver rigidez, tetraparesia ou paresia e paraplegia.


Os primeiros estudos apontavam o Staphylococcus aureus como agente causador, contudo, um patógeno canino foi recentemente identificado, o Stafilococcus intermedius. As bactérias ou fungos em geral, entram na corrente sanguínea através dos abcessos dentários, feridas, doenças que diminuem a imunidade do animal, pelas vias aéreas (pulmão) ou mesmo decorrente de outras infecções, principalmente vindas do trato urinário e endocárdio. Uma infecção muito comum que pode levar a discoespondilite é a Brucelose, mais comum em animais de sítios e fazendas.

Cães de raças grandes e machos são mais propensos a contrair a discoespondilite, podendo acontecer em qualquer idade. É raro em gatos, mas pode ocorrer osteomielite vertebral, sem acometimento dos discos, decorrente de ferimentos externos. A doença acomete mais frequentemente a região tóraco lombar ou lombar.

Depressão, anorexia e febre representam o sinal de alerta. A seguir surge uma dor muito intensa na região atingida, podendo ter alterações neurológicas em decorrência dessa inflamação local, como paralisia dos membros e dificuldade de locomoção.

O diagnóstico de discoespondilite é obtido geralmente através de raios-X, porém a tomografia computadorizada pode evidenciar aspectos de lise e remodelamento ósseo com maior e melhor definição e precocidade não alcançadas com radiografia convencional. No exame clínico deve-se procura sinais clínicos como sopro, pois endocardite pode ser a fonte da infecção. Nos exames laboratoriais pode ocorrer no Hemograma: leucocitose e neutrofilia, a urinálise pode detectar foco de infecção (cistite).

O tratamento envolve a antibioticoterapia agressiva e prolongada baseada nos organismos mais comumente envolvidos ou no resultado das culturas. É importante manter o animal em repouso absoluto para evitar fraturas patológicas.

Estou relatando sobre esta doença porque recentemente enfrentei o desafio de salvar o meu pastor alemão, o Twguio, que esta com dez anos desta infecção. Os primeiros sintomas surgiram durante o carnaval, o que dificultou muito o atendimento.

Ao consultar a primeira veterinária, numa clínica onde trabalham quatro veterinários, foi diagnosticado que ele estava com cinomose e erliquiose e, a melhor opção seria a eutanásia devido à idade dele. Não aceitamos esta indicação, ela então, receitou uma medicação que foi incluída no valor da consulta. Tivemos a iniciativa de levá-lo em outra clínica veterinária. Lá chegando, o outro veterinário identificou esta infecção, mencionando que a medicação indicada pela veterinária anterior, à base de corticoide iria agravar a situação. Ele ficou internado por dez dias, mas estava totalmente paralisado da cintura para baixo. 

Devido às dificuldades apresentadas para realizar as necessidades fisiológicas, falta de apetite e condição para continuar vivendo sem se locomover, fui incentivada por muitas pessoas a realizar a eutanásia. Mas meu marido foi implacável, jamais iriamos praticar este ato. O sofrimento dele foi muito grande durante o período de vinte e um dias, sendo que a medicação correta foi realizada durante seis semanas. 

A luta foi muito grande, mas teve um final feliz. Nós investimos todo nosso amor e dedicação e, após sessenta dias ele este está totalmente recuperado, caminha e se alimenta muito bem.

Quero deixar registrado aqui este depoimento, pois descobri que discoespondilite pode ter cura. A eutanásia indicada na primeira clínica veterinária demonstrou falta de ética, de moral e de conhecimento cientifico, ou seja, eles tem um protocolo escolhido para realizar o atendimento, não respeitando a vida do animal e, muito menos o sentimento dos tutores. Para os veterinários daquela clínica, a eutanásia é a solução quando desconhecem a causa do problema. 

O Twguio não estava com cinomose e muito menos erliquiose, e sim com discoespondilite. Tomara que outros animais não sejam vítimas de profissionais que atuam sem o mínimo de responsabilidade e, praticam a eutanásia em animais que ainda tem uma longa vida pela frente.



Autoria: Vininha F. Carvalho

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Campanha contra abandono de animais ganha a Rodovia Presidente Dutra


A campanha “Quando a gente gosta é claro que a gente cuida”, promovida pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) para conscientizar a sociedade sobre o problema do abandono de animais domésticos, chega a uma nova fase. 

Depois de atingir mais de 5 milhões de pessoas em todo o Brasil com o vídeo do cachorro Zeca e peças de comunicação no Metrô da capital e nos principais terminais rodoviários, agora a campanha será destaque em uma das rodovias mais importantes do País, a via Dutra.

A concessionária CCR NovaDutra junta-se à campanha do CRMV-SP e passa a divulgar os materiais de conscientização. Serão 50 mil panfletos distribuídos nas praças de pedágio de Arujá e Jacareí nos dias 20 e 27 de abril. Além dos panfletos, 10 faixas da campanha serão dispostas no trecho paulista da rodovia e spots serão veiculados na CCRFM 107,5 NovaDutra, emissora oficial de informações da via Dutra. Todo este esforço se dá justamente em um dos períodos mais críticos de abandono de animais, os feriados. Entidades como ONGs de cuidado animal e CCZs de várias cidades registram um aumento de até 70% no abandono de pets nestas ocasiões.

“Em períodos de festas e feriados prolongados, cresce o índice de abandono. Seja qual for o motivo, nenhum deles justifica a crueldade de largar um animal na rua desprotegido”, afirma o presidente do CRMV-SP, Mário Eduardo Pulga. “Os animais abandonados estão mais suscetíveis a maus-tratos, a acidentes e, principalmente, a doenças, que podem ser, inclusive, uma ameaça para outras espécies e para a saúde humana”, completa.

A previsão é que em cada feriado mais de 400 mil veículos circulem pela via Dutra nos dois sentidos.





Sobre o CRMV-SP:

O CRMV-SP tem como missão promover a Medicina Veterinária e a Zootecnia, por meio da orientação, normatização e fiscalização do exercício profissional em prol da saúde pública, animal e ambiental, zelando pela ética. É o órgão de fiscalização do exercício profissional dos médicos-veterinários e zootecnistas do Estado de São Paulo, com mais de 32 mil profissionais ativos. Além disso, assessora os governos da União, Estados e Municípios nos assuntos relacionados com as profissões por ele representadas.


Fonte: Sandra Cunha

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Bem-estar animal não é sinônimo de caridade



O animal representa a natureza primitiva e instintiva de que todos nós somos constituídos. O animal é parte da natureza e, como tal, não é bom nem ruim, obedece apenas ao seu instinto, que é também o fundamento da natureza humana e, se não for integrado à sua personalidade, pode ser extremamente perigoso. 

A necessidade de implantarmos, uma nova mentalidade capaz de permitir uma relação de respeito com os animais e a natureza em geral, permitirá também, o desenvolvimento de atitudes éticas na sociedade.

O grande desafio dos centros urbanos que visam à melhoria da qualidade de vida enfocando a ética, é conseguir implantar e fortalecer a ideia, de que o bem estar animal não pode mais ser considerado como um ato de caridade e sim como uma obrigação legal”. 

A população de animais domésticos, que vivem e sobrevivem, em relação direta com as condições do meio ocupado pelo ser humano, não podem continuar sendo abandonados. 

Esta situação requer a urgência de unir esforços da comunidade, para que se obtenha o controle de natalidade, enfatizando a necessidade de sensibilização da população sobre a posse e responsabilidade de animais de estimação.

O abandono de um animal é um ato cruel e degradante, demonstração clara, de falta de caráter e incapacidade para assumir compromissos, e caracteriza-se num crime.

O engajamento das escolas, na luta em defesa dos direitos dos animais e preservação da natureza , tem um papel relevante para que as crianças passem a trazer consigo um compromisso ético para com o meio em que vivem, combatendo as atitudes do comportamento violento e criando uma sociedade melhor, onde viverão seus filhos e netos.

A defesa do direito dos animais se faz estimulando a cidadania, o desejo de fortalecer a responsabilidade social, e não apenas como um ato filantrópico. “Precisamos combater a causa e não ficar se preocupando apenas em controlar as consequências.

Está nas mãos de cada um, que se dispõe a ajudar os animais a possibilidade de encontrar a solução, se souber compartilhar suas ideias, estimulando a posse responsável e a castração. Na causa animal não existe vencer, mas sim convencer seus semelhantes a serem mais sensíveis e unidos em prol dos animais.


Autoria : Vininha F. Carvalho