quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Medicina preventiva no Zoo de Curitiba


Bob abre a caixa a sua frente onde estão barras de cereais e uma revista semanal, a qual folheia como se quisesse saber das novidades dos artistas do momento. Apolo encontra uma abóbora, que em menos de cinco minutos é destruída, e o seu recheio de carne é rapidamente devorado.

Laís vai até uma árvore, depois a um arbusto em busca da origem de odores diferenciados, aos quais não está acostumada dentro do seu espaço. Bob, Apolo e Laís são respectivamente um chimpanzé, uma onça pintada macho e um lobo guará fêmea, moradores do Zoológico de Curitiba, que participam de um trabalho que envolve os cerca de 1400 animais expostos no local: o enriquecimento ambiental.

O programa tem por objetivo diminuir o nível de estresse dos animais, evitando efeitos colaterais como depressão, queda de resistência e de imunidade. “Os animais que ficam em cativeiro perdem características importantes, como a busca do alimento e o sentimento de preservação, que os mantém alerta em tempo integral”, explica Manoel Lucas Javorouski, médico veterinário da Prefeitura de Curitiba e responsável pelo programa.

Em ambientes como os do Zoológico e do Passeio Público, também envolvido no projeto, médicos veterinários e biólogos buscam diariamente levar novos desafios aos animais. Num dia o alimento é entregue em horário diferente ao que ele está acostumado. Em outro, a comida pode chegar escondida numa abóbora ou num melão. Como se tratam de experimentos, nem sempre eles dão o resultado esperado. O oferecimento de um rato dentro de um mamão foi recusado pela loba guará, apesar dos dois alimentos fazerem parte da sua dieta.

Aguçar os sentidos dos animais e mantê-los em alerta está dentro do desafio proposto pelos profissionais. Várias vezes eles colocam essências de alimentos em árvores e arbustos, fazendo com que o animal percorra seu recinto na busca do odor diferenciado. A proposta também inclui sons gravados ou a troca de lugar do cocho de alimentação.

Até os animais julgados incapazes de reação demonstram interatividade. Um exemplo aconteceu durante as melhorias realizadas no terrário dos répteis do Passeio Público. Foi desenvolvido um cenário com galhos e folhas para as cobras e, assim que as jibóias foram colocadas no local, elas tentaram retirar todas as folhas, como se estivessem se divertindo com a nova situação.

Medicina Preventiva:

Paralelo ao enriquecimento ambiental, as equipes do Zoológico e do Passeio Público realizam o trabalho de medicina preventiva. Diariamente os veterinários, biólogos, estagiários e tratadores observam todos os animais, procurando sinais de alteração física ou de apatia entre eles. Periodicamente são realizados exames parasitológicos e vacinação, conforme o estipulado no calendário para cada espécie.

Os projetos arquitetônicos também contemplam a parte preventiva. Um exemplo são os viveiros dos pássaros. “Durante muitos anos a colocação de plásticos em volta dos viveiros no inverno foi uma constante, isto sem contar as espécies que precisavam de cuidados especiais com aquecedores nas áreas de atendimento”, comenta o veterinário Manoel Javorouski.

Hoje, novos viveiros permitem que os pássaros se abriguem do frio e mesmo do calor intenso numa câmara fechada, localizada na parte de trás do recinto das aves, onde há ventilação cruzada e telhas de vidro que garantem a iluminação natural. No zoológico, outro exemplo de adaptação é o espaço das cabras maltesas, que tem pedras irregulares amontoadas para que elas possam subir e desgastar os cascos. Antes desta adaptação era preciso cortar mensalmente os cascos das cabras, procedimento que, eventualmente, pode provocar ferimentos no animal.

O resultado deste trabalho conjunto – enriquecimento ambiental e medicina preventiva – é observado na redução dos atendimentos realizados. Por conta dos novos viveiros de pássaros, apenas uma ave precisou de cuidados especiais no último inverno, no Passeio Público. No Zoológico, neste mês, somente um animal recebeu tratamento médico, o camelo, que estava com um abscesso na região da coxa, que foi tratado com gel.

“Aplicando este tipo de trabalho nos animais em cativeiro estamos garantindo uma melhoria significativa na qualidade de vida deles, além de uma economia substancial nos gastos com exames e medicamentos, tornando possível redirecionar as verbas para outros projetos de igual importância”, afirma o veterinário Manoel Javorouski.

Serviço

Zoológico de Curitiba

Av. Marechal Floriano Peixoto, s/n°. - Alto Boqueirão
Tel.: (41) 3378-1221/3378-1515

Nenhum comentário:

Postar um comentário