sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Domesticação do cão intensificou-se a partir da capacidade do animal se comunicar com os seres humanos


Preferência nacional, os cães estão presentes em 79% dos domicílios brasileiros que possuem animais de companhia. Esta amizade se iniciou há aproximadamente 15.000 anos – quando os lobos passaram a ser domesticados pelos seres humanos –, a partir da capacidade de comunicação estabelecida entre o cão e o homem.

Hoje, segundo levantamento do Radar Pet, pesquisa idealizada pela Comissão de Animais de Companhia (Comac), do SINDAN (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal), eles são 25 milhões nas classes das classes A, B e C, distribuídos em 44% dos lares.

Com o objetivo de trazer a público uma série de informações relevantes e pouco conhecidas sobre enormes benefícios sociais, psicológicos e até físicos na relação homem e animal de estimação, a Comac encomendou um levantamento de estudos nacionais e internacionais sobre o tema a um grupo de pesquisa do Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de São Paulo (USP), liderado pelo professor César Ades.

Este trabalho identificou que entre estas capacidades de comunicação estão a habilidade dos cães em responder ao contato visual do ser humano, a interpretar os gestos de apontar, associar a voz do dono à sua imagem e a vocalização.

Segundo os pesquisadores que fizeram este levantamento, esta habilidade se acentuou de tal maneira que os cães passaram a ter uma real necessidade de se comunicar com o ser humano, logo que este assumiu o papel de mediador e provedor dos desejos e necessidades básicas desses animais, como alimento, proteção e cuidados, tornando uma fonte de motivação para que os cães estabeleçam este contato.

Em troca, os seres humanos ganham companhia que proporciona um grande bem estar psíquico, refletindo positivamente em reações fisiológicas e ligadas à saúde – sem contar a atuação desses animais como farejadores, cães-guias, cães de guarda, cães militares, entre outras tarefas.

“O gesto de apontar é considerado um dos gestos não-verbais mais usados pelo ser humano para indicar objetos e eventos. Os cães interpretam as dicas mais evidentes com facilidade – como apontar com o braço, mão, dedos, direção corporal – e aos mais sutis – como inclinação da cabeça ou simplesmente direção do olhar – à medida que são submetidos a poucas repetições”, afirma a pesquisadora Carine Savalli Redígolo, um dos membros do grupo.

A especialista confirma que esta habilidade já foi descrita em várias pesquisas que situavam os cães entre dois potes, ambos apresentando cheiro de comida, entretanto apenas um contendo um pedaço de carne. O objetivo desses trabalhos confirmaram-se ao constatar que os cães são capazes de escolher o pote correto com base somente nos gestos de apontar do ser humano. Esta possibilidade de compreensão, pode ser útil na hora de domesticar ou adestrar o animal.

Outra característica que chama atenção dos pesquisadores é a habilidade de mostrar para seus donos o local de brinquedos ou alimentos escondidos, simplesmente alternando olhares entre o esconderijo e o dono, vocalizando. A especialista explica ainda que a estrutura acústica dos latidos dos cães pode diferir-se de um contexto para outro, como por exemplo, quando o dono chega em casa, quando uma pessoa estranha toca a campainha e quando o cão tem um encontro.

Os cães desenvolveram ainda muitas outras características cognitivas para viver ao lado do ser humano, uma delas é a capacidade de associar a voz do dono à sua imagem, além da capacidade de se comunicar por meio de símbolos. De acordo com a pesquisadora Maria Mascarenhas Brandão, o grupo de pesquisa da USP treinou uma cadela para usar um teclado com símbolos arbitrários para pedir água, comida, brinquedo, carinho, etc.

“Após o período de treino, a cadela passou a usar o teclado espontaneamente, e, a concordância entre a direção do seu olhar antes de usar o teclado e o símbolo pressionado indicava o uso coerente desse dispositivo. Além disso, ela foi filmada por longos períodos sozinha com o teclado e, observou-se que, sem a presença de uma audiência para seus pedidos, ela não o utilizava, confirmando a função comunicativa do teclado”, acrescenta.


“O estudo da comunicação entre cão e ser humano é de grande relevância para ambas as espécies, já que o cão foi o primeiro animal a ser domesticado pelo homem e é, certamente, o mais próximo – alcançando muitas vezes o status de membro da família. A convivência diária favorece a aprendizagem para ambas as espécies, e cão e dono estabelecem seus próprios rituais de comunicação que normalmente funcionam muito bem. Quando o dono não reconhece que está diante de uma espécie diferente, com funcionamento e necessidades distintas, a relação entre cão e dono pode ser ameaçada. Conhecer as necessidades dos cães e respeitá-las é a chave para uma relação saudável e de confiança mútua. A eficiente comunicação estabelecida entre o cão e ser humano é, de fato, a razão do sucesso dessa afinidade entre duas espécies tão diferentes e ao mesmo tempo tão próximas”, conclui Maria.

Enviado por: Igor Carvalho

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